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Um Século é o Agora

Anne Shirley- Cuthbert ficou conhecida por muitos aqui no Brasil através da série Anne with an E. Mas como a própria protagonista, a série só arranha a superfície desse mundo gigante que uma ruivinha cheia de amores pelo mundo é capaz de demonstrar.
Anne Green Gables: Um Século é o Agora
Anne Green Gables: Um Século é o Agora

Anne de Green Gables

A jornada representada magistralmente pela atriz Amybeth McNulty nas temporadas registradas pela Netflix, na verdade, sequer contempla a história toda do primeiro livro da saga de Anne de Green Gables. A história dessa personagem tão caricata, que tira suspiros de amores e, convenhamos, as vezes até de certa irritação, faz parte de um clássico da literatura canadense, que conta com 8 volumes, escritos por Lucy Maud Montgomery em 1908.

Desde que foi lançado, a série que conta a saga dessa órfã que, apesar de ter sofrido tanto, demonstra tanto amor pela vida, é uma obra infanto-juvenil que influenciou muitas crianças e jovens ao redor do mundo. Recebendo um novo olhar televisivo (não sendo, porém, sua primeira adaptação fílmica), nossa adorável, temperamental e cheia de energia Anne agora também faz parte de uma nova forma de pensar e viver de muitos adultos. Os que já conheciam, relembraram, e os que não conheciam, se encantaram.

E a história, cheia de paradigmas para o seu tempo, conta o crescimento dessa pessoa tão especial que é Anne. Sua imaginação transpassa qualquer barreira, e se for necessário, ela imaginará barreiras para vencer estas também.

The Lake of Shining Waters

Logo em suas primeiras aparições na história, a garotinha desbanda a falar. Ela descreve as flores do caminho, a beleza de cada detalhes nelas, suas cores… Ah, e falando em cores! Como ela gostaria de vestidos com mangas bufantes cor-de-rosa, mas naquela época achava que rosa não era para as então não muito queridas ruivas… Mas como sonhava!

Sonhava com vestidos azuis, tão lindos quanto o céu, mas levemente esverdeados, mais próximos do lago a caminho da fazenda onde começaria sua verdadeira vida: “the lake of shining waters”. Veja que, esse lago de águas brilhantes, em sua tradução literal, foi cenário de várias aventuras da garota com os indignados moradores de Avonlea, perante essa personalidade ardente e “sem modos” da pequena.

O fato é que, em seu contexto, seu dever seria o de uma jovem que deve estudar, ajudar nos afazeres e se comportar. Mas Anne é muito maior que isso. Ela se perde em devaneios perante as árvores que pode ver do seu quarto na fazenda Green Gables. Uma simples pétala é capaz de criar a narrativa de vidas inteiras na cabeça dessa menina, em uma velocidade que desafia a sensatez que, bem, ela desafia com frequência.

Anne em nós

Sua destreza e paixão por e com palavras, pelo conhecer, pelo aprender… Eis uma postura que não só é desafiadora ainda hoje, como intimidadora. Afinal, toda essa energia acerca de coisas tão simples como os cheiros da torta em um piquenique em frente ao lago, podem ser universos inteiros.

Anne é sobre isso, e nós devemos ser também. Hoje mais do que nunca estamos sendo desafiados a buscar o que realmente importa em nossas vidas, e o que significam essas vidas por si só.

Muitas vezes nos deixamos levar por inquilinos na nossa cabeça – sim nesse sentido mesmo! Permitimos que ideias invadam nosso espaço sem sequer nos darmos conta, afinal de alguma forma isso irá nos ajudar. Mas até que ponto?

Sobre as flores

Nossa mente é rica e frutífera por si só. Mas sabe, mesmo em solo fértil, as flores só nascem se cultivarmos. Mas existe sempre aquele “porém”: as flores podem até ser cultivadas, mas quando vamos plantá-las, não podemos pisar nas que deixamos atrás. E sim! Frequentemente, se não sempre, essas pisoteadas são sem querer: as vezes queremos dar passagem para ambições e necessidades que são “pé no chão”, quando o que queríamos mesmo era contemplar as pétalas a nascer.

Onde está nas nossas mãos, então, permitir que nossas ideias sejam tão frutíferas quanto as de Anne? Seria leviano dizer que nossa sonhadora nunca pisou em suas flores. Pelo contrário! Sua avidez pelo viver já a colocou em muitas (muitas!) situações em que viu seus brotos murcharem – seja por

suas próprias expectativas e medos, seja por interferência externa, esses inquilinos que colocam suas coisas em nosso espaço mental e, mesmo quando solicitado, relutam a sair…

as pequenas coisas

Onde nos cabe, então, agir para retomar esses espaços?

Viver o aqui e o agora é transgressor pelo simples fato de negar a velocidade do mundo. Viver o aqui e o agora é entender que o mundo não para só porque a gente quer – e nem deve! Significa, na verdade, a aprendermos a mudar o compasso de vez em quando, dançar alegremente com uma pétala a voar e apreciar o tempo de uma borboleta sair de seu casulo, ou mesmo do café coar…

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